Início do conteúdo

VI Feira de Ciências do Campus Petrolina reúne projetos de diferentes áreas e incentiva o protagonismo estudantil


O Campus Petrolina do Instituto Federal do Sertão Pernambucano (IFSertãoPE) realizou, no dia 29 de outubro, a VI Feira de Ciências, reunindo estudantes e professores de diferentes instituições de ensino para compartilhar projetos científicos, tecnológicos e de inovação. A programação contou com exposição de trabalhos, oficinas e palestra, proporcionando um espaço de divulgação científica, troca de experiências e incentivo à pesquisa

Foram mais de 100 trabalhos apresentados apresentados contemplando diferentes áreas do conhecimento, com propostas que abordaram temas como sustentabilidade, tecnologia, saúde, meio ambiente, educação, empreendedorismo e valorização dos saberes locais. Os projetos foram desenvolvidos por estudantes de diferentes níveis de ensino, de instituições públicas e privadas.

Além da exposição dos projetos, a programação incluiu atividades formativas. Pela manhã, foram realizadas as oficinas de Construção de Foguetes e Medindo o raio da Terra: o experimento de Eratóstenes. No período da tarde, o público participou da palestra sobre primeiros socorros em situações de obstrução de vias aéreas por corpo estranho (OVACE) e da oficina Formação de Professores com Arduino: Práticas Experimentais no Ensino de Física.

Entre os trabalhos apresentados, estiveram iniciativas que demonstraram como os conhecimentos desenvolvidos em sala de aula podem ser aplicados a situações do cotidiano. Um dos exemplos foi o projeto de empreendedorismo jovem apresentado pelo estudante Lucas Raynan da escola Erefem Padre Luiz Cassiano, que participou da Feira com uma proposta de cultivo de hortaliças em sistema hidropônico, sem utilização direta do solo.

Na escola, os estudantes cultivam as plantas com circulação de água por meio de uma pequena bomba. A produção é comercializada na própria instituição, e o dinheiro arrecadado é reinvestido na compra de novas plantas e na ampliação da iniciativa.“Esse dinheiro está indo para a gente comprar mais plantas e aumentar o projeto”, explicou Lucas, que também destacou a oportunidade de apresentar o trabalho e compartilhar a experiência com outros participantes da Feira.

A dimensão social também esteve presente nos projetos. O estudante Josué Wesley Barbosa Pereira, da Escola Eneide Coelho Paixão Cavalcanti, apresentou uma iniciativa de enfrentamento à violência contra meninas e mulheres, que desenvolve ações de sensibilização, acolhimento e escuta no ambiente escolar. “Trouxemos nosso projeto para mostrar o trabalho que realizamos na escola e também para sensibilizar outras pessoas, para que possam escutar meninas e mulheres que já passaram por situações de violência”, destacou Josué.

O estudante explicou que as atividades incluem palestras, dinâmicas e encontros com profissionais, como psicólogos e policiais. Para ele, ouvir as experiências compartilhadas pelas participantes reforça a importância da iniciativa. “Elas contaram suas histórias e experiências, e isso nos deu uma lição valiosa, mostrando que nosso trabalho não é em vão”, relatou.

A relação entre ciência, tecnologia e questões regionais também esteve presente nos trabalhos apresentados por estudantes do próprio Campus Petrolina. Um dos projetos investigou a variação das temperaturas em Juazeiro (BA) e Petrolina (PE), utilizando a linguagem de programação Python e ferramentas de análise de dados e construção de gráficos.

Os estudantes Hyan Thiato e Sealtiel Bezerra , do curso de Eletrotécnica, explicaram que a pesquisa foi desenvolvida a partir de atividades envolvendo funções matemáticas e programação. O trabalho utilizou dados históricos de temperatura das duas cidades para analisar as variações registradas ao longo dos anos.

Além da aplicação dos conhecimentos matemáticos e computacionais, o estudo aponta possibilidades de utilização das informações na agricultura. “Com base nesses dados, podemos ter uma previsão de como será o clima e ajudar os agricultores a decidir o que plantar, porque nem todas as plantas precisam da mesma quantidade de água. Isso pode melhorar a eficiência da produção e ajudar também na economia local”, explicou Yan.

A participação de professores e estudantes de outras instituições é uma das características da Feira. Para o professor de Língua Portuguesa Luiz Carlos Cordeiro Lima, da Escola de Referência em Ensino Médio (EREM) Padre Manoel de Paiva Netto, participar do evento pelo segundo ano consecutivo representa uma oportunidade de compartilhar experiências pedagógicas e conhecer iniciativas desenvolvidas em outras escolas. “É importante pegar nossas práticas de ensino e aprendizagem e torná-las públicas, porque elas podem inspirar outros professores. É também um espaço para conhecer pessoas, trocar ideias e aprimorar o que fazemos. Considero que o prêmio já é estar aqui”, destacou.

Os estudantes orientados pelo professor apresentaram o projeto “A leitura que se transforma em arte: fanarts, subjetividade e experiência literária”, que trabalhou a leitura literária de forma interdisciplinar, utilizando as fanarts como recurso para aproximar a literatura do universo dos jovens.

A articulação entre o IFSertãoPE e as instituições da região também contribui para ampliar a participação das escolas. A Gerência Regional de Educação (GRE) de Petrolina é parceira da Feira, em uma colaboração que envolve divulgação, mobilização das escolas e apoio à organização.

Representando a GRE, o técnico formador de Matemática David Ribeiro ressaltou que a parceria busca ampliar as oportunidades de participação dos estudantes e fortalecer o trabalho desenvolvido pelas instituições de ensino.“Essa parceria começou há alguns anos com o objetivo de fortalecer o diálogo e proporcionar mais oportunidades aos estudantes. Além da Feira de Ciências, também realizamos ações conjuntas, como formações continuadas para professores nas áreas de robótica e ciências”, explicou.

David também destacou a importância de dar visibilidade às experiências construídas nas escolas. Para ele, a Feira permite reconhecer o potencial dos estudantes e o trabalho dos professores, além de estimular outras escolas a desenvolverem e apresentarem seus projetos.

A Feira de Ciências, coordenada pelo professor Daniel Berg, ao reunir, nesta VI edição, mais de 100 projetos e experiências desenvolvidos por diferentes instituições e em diversas áreas do conhecimento. O número expressivo de trabalhos demonstra o potencial do evento para fortalecer a ciência, estimular o intercâmbio de conhecimentos e apresentar soluções para demandas da nossa região.

Fim do conteúdo