Início do conteúdo

Inclusão na prática: campus Petrolina Zona Rural cria recurso para apoiar estudante com perda auditiva


O Núcleo de Atendimento às Pessoas com Necessidades Específicas (Napne) do campus Petrolina Zona Rural do IFSertãoPE desenvolveu uma solução de tecnologia assistiva para apoiar uma estudante do curso de Agronomia com perda auditiva sensorial neuronal bilateral severa. A iniciativa teve como objetivo promover maior acessibilidade, autonomia e inclusão no ambiente acadêmico, contribuindo para que a aluna acompanhe as atividades em sala de aula com mais qualidade.

A ação foi motivada após a estudante Samara Freire procurar o Napne e relatar que enfrentava dificuldades para acompanhar as aulas, especialmente em espaços amplos e em situações com múltiplas fontes sonoras, o que comprometia a compreensão das explicações dos professores.

Diante da demanda da estudante, o Núcleo buscou alternativas acessíveis e de baixo custo que pudessem minimizar as barreiras enfrentadas por Samara. O trabalho contou com a colaboração do estudante de Agronomia e bolsista do Laboratório IFEduca 4.0, Marcos Tolentino, responsável pela realização de testes e validações da tecnologia adotada.

O celular da estudante é utilizado como receptor de áudio amplificado

“O objetivo foi criar algo simples, que pudesse ser facilmente aplicado no ambiente escolar e que realmente contribuísse para o processo de aprendizagem da aluna. Durante o desenvolvimento, foi necessário testar equipamentos, pensar na praticidade do uso em sala e encontrar uma forma de transmitir o áudio com mais clareza. Além da parte técnica, esse projeto trouxe uma reflexão muito importante sobre inclusão e acessibilidade dentro da educação. Muitas vezes, pequenas iniciativas podem gerar grandes impactos na vida dos estudantes, promovendo mais participação, autonomia e igualdade dentro da sala de aula”, afirmou Marcos Tolentino.

Após avaliações práticas, foi identificada uma solução simples e eficiente: a utilização do celular da estudante como receptor de áudio amplificado. O sistema funciona por meio da instalação de um aplicativo que transforma o aparelho em um alto-falante para microfone. Um microfone sem fio é conectado ao dispositivo via Bluetooth e utilizado pelo professor durante as aulas. O áudio captado é transmitido diretamente para o celular da estudante, que recebe o som por meio de fones de ouvido, de forma mais clara e amplificada.

A tecnologia permite reduzir interferências sonoras do ambiente e melhorar significativamente a compreensão auditiva durante as aulas, favorecendo a participação da estudante nas atividades acadêmicas e fortalecendo seu processo de aprendizagem. “Uso aparelho auditivo e a diferença é que com ele eu escuto qualquer barulho muito alto, isso acaba atrapalhando um pouco, pois o som da voz do professor fica baixo e então eu fico com dificuldade de compreender. Já com o dispositivo conectado ao fone, eu escuto somente a voz do professor e o resto do barulho é abafado, o que ajuda a me concentrar também, focando 100% na voz do professor”, explicou a estudante Samara Freire.

Para o coordenador do Napne, Yuri Dias, esse acompanhamento é de extrema importância. “Muitos estudantes chegam sem saber que têm direito a um suporte especializado e quando descobrem faz uma enorme diferença na autoestima, no rendimento, contribuindo muito para sua permanência e êxito. O Napne está aqui para isso: acolher, orientar e caminhar junto com o estudante”, disse. O coordenador ressalta, ainda, que o Napne está aberto para qualquer aluno, família ou docente que precise de atendimento.

Fim do conteúdo